Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Dezembro 8, 2007 por annacaseixas
Fernando Pessoa, escritor português, em um de seus poemas (o meu título); relata que é necessário que reconheçamos o fim, para que tenhamos a chance de ter um novo começo sem mágoas ou vínculos com o passado. Só que não é fácil aceitar o fim. É inerente ao ser humano fazer questionamentos diante das derrotas, das perdas, das despedidas, da morte, mesmo sabendo que estes nunca serão respondidos. Por mais que tente-se achar os erros, os motivos, os por quês, ele nunca vai se contentar com resposta alguma, por que não existe resposta para algo que não conseguimos aceitar, ou até mesmo não queremos entender. E diante disso surgem os “se’s”, os chamados se’s condicional, “se eu tivesse feito daquela forma, seria diferente”, “E se…?”. Sinceramente esse “se” só faz com que fiquemos mais aflitos ainda, com mais perguntas sem respostas, criando culpas, arrependimentos, por que havia outra maneira de agir naquele determinado momento. Mas esse momento é único e tão rápido que nele você age da forma mais natural, de acordo com sua personalidade, junto ao seu inconsciente, principalmente quando é pego de surpresa…
O mal da humanidade é achar que ela comanda o mundo, mas na verdade o mundo é quem comanda ela. Após termos nos dado conta de o que aconteceu, passou, terminou, escreveu-se um ponto final, é que vem a pior parte de todo o processo, que é cair na realidade. Isto sim derruba qualquer um, ficamos perdidos, afoitos, aflitos, uns se isolam, outros bebem, outros choram, outros sentem carência afetiva e quer todos a sua volta sempre e a toda hora, já outros fogem, tentam esquecer, saem se divertem, dançam, mas quando chega em casa e a cabeça se encosta no travesseiro, a realidade volta a pairar dentro de seus pensamentos. Ai vem as crises de choro, a tristeza profunda, o medo de tentar de novo, o medo de uma nova derrota, de uma nova perda, deixa qualquer ser perdido, sem rumo. Perder algo, ou alguém, em todos os sentidos, é inaceitável. Como você pode aceitar perder algo que antes fazia parte diariamente de sua vida e de uma hora para outra desaparece, vira-te as costas? Impossível aceitar, por isso existem as chamadas fulgas necessárias, os conselhos clássicos, o se desfazer de lembranças, o se desprender dos bens materias que te lembrem o que foi perdido. E com os pensamentos!? O que fazemos?! Ah, com esses deve-se não pensar. Mas como? Se mesmo você não pensando, você esta pensando que não esta pensando. Simples, ocupe sua mente o máximo que puder, esgote ela, faça com que seus neurônios percam as forças, faça mil atividades por dia, não pare. É… então também não durma, por que por mais que esteja esgotado na hora do encostar a cabeça no travesseiro tudo reaparece, volta-se a pensar. Pode ser que com o tempo esse pensar vá tendo menos efeitos ruins, com o tempo talvez aquilo que antes afetava e o entristecia diante de um simples cheiro, não aconteça mais. Então, o tempo é o que rege tudo!? Não afirmo isso com certeza absoluta, ele pode ser um aliado, assim como os amigos, a distração da mente, chamo todos de fulga. Uma falsa conformidade perante a sociedade para mostrar que és capaz de vencer, que és forte, que passou e que agora nenhuma recordação me afeta. Todos nós somos eternos artistas, com várias peças a serem estreadas em nosso caminho. Um ser inteligente, não esquece de nada marcante que aconteceu, ele pode tentar esconder no subconsciente, inconscientemente. Mas sempre estará lá dentro todas as recordações.
Agora me diz. Por que as boas recordações essas sim podem e devem vir sempre em nossos pensamentos, e as ruins não?! Se são guardadas no mesmo lugar dentro da gente. Por convenção alegria é coisa boa, tristeza é ruim. Para mim essa conversa toda só tem um e apenas um único intuito; que é fazer com que amadureçamos sempre. O amadurecer é ponderar antes de colocar para fora o que sentimos, é o pensar antes de tomar atitudes, é o ter conciência de que já seguiu um caminho que não deu certo, portanto hoje sigo esse por que sei que aquele não rendeu bons frutos. Ou seja, Fernando Pessoa que me desculpe a ousadia em discordar de seu poema. Mas não temos que criar fulgas, rasgar fotos, mudar de casa, bairro, evitar lugares. Não devemos esquecer o que aconteceu, nem evitar que as lembranças ruins voltem, por que são elas junto às boas que nos fazem crescer. Basta cada qual se permitir a passar por todas as fases, nas quais julgar necessário, para que se amenize o sofrimento, mas nunca fugir da causa dele, nunca fugir da realidade, nem se iludir tentando colocar um fim. Eu não acredito em fim, já disse isso antes, acredito em recomeço. Agora saber qual a hora certa de recomeçar, isso ai ninguém vai saber responder, apenas a própria pessoa. E a cada recomeço mais um ponto de amadurecimento.
Particularmente eu só recomeço quando esgoto todas as minhas formas de consertar algo que esteja, não quebrado, mas incerto, algo que eu ainda ache que não fui convencida, ou algo que eu ainda ache que é válido uma luta, uma reconquista, uma tentativa. Antes me arrepender por ter lutado, do que me arrepender por ter tido medo de lutar, de ir atrás, nem que seja pela última vez do que eu quero. Derrotas fazem parte da vida, mas elas só têm valor quando fazem parte da vida de lutadores e não de eternos vencidos.
Encerro mais uma vez com uma letra de Vinicius de Moraes, suas obras são capazes de ilustrar, engrandecer todos meus textos. O cara (com todo respeito) é tranquilo, segundo ele e Calazans Netto ser tranquilo é: ver o dia passar, em Itapuã, aceitar a vida como ela é ver do nascer do sol até ele se pôr sem fazer nada, só conversando. Quando isso acontece é quando você esta tranquilo, quando você vê que não é neurótico, quando percebe que as coisas estão tranquilas….
Vinicius de Moraes – Onde Anda Você
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E por falar em saudade onde anda você. Onde andam seus olhos que a gente não vê. Onde anda esse corpo. Que me deixou louco de tanto prazer. E por falar em beleza onde anda a canção. Que se ouvia na noite dos bares de então. Onde a gente ficava,onde a gente se amava. Em total solidão. Hoje eu saio da noite vazia. Numa boemia sem razão de ser. Na rotina dos bares,que apesar dos pesares. Me trazem você. E por falar em paixão, em razão de viver. Você bem que podia me aparecer. Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares. Onde anda você?
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A verdade é essa: nós nunca estamos satisfeitos com o que somos ou com o que temos. Mais ou menos, sempre desgostamso de alguma coisa em nós mesmos: os pés, as orelhas, a boca, os peitos, as mãos, a barriga, a bunda, os cabelos (isso é comprovado facilmente pelas estatísticas medicas estético-cirúrgicas atuais). Mas além disso, nós nunca sempre criamos caso, discordamos ou questionamos o vizinho, o colega de sala, o chefe, o político, o médico e até a morte.
“Fulano morreeeu!! Buááá!!! Porque?!!! Porque?!!!!”. Eu digo o porque. Porque tinha de ser assim. Não é porque vc tem uma vida mais simples que isso vai garantir uma velhice longa. Uma bala perdida pode acabar rapidinho com sua pacividade. E uma vida cheia de adrenalina, comidas pesadas e álcool pode sim te levar ao centenário.
Tudo isso não é padrão, mas tb não é garantia de nada.
Por isso a necessidade de vivermos essa vida plenamente, aproveitando tudo que ela tem pra nos dar e ensinar. Mas pra isso, não precisamos passar por cima de ninguém, roubar ou matar o próximo.
Só precisamos de uma coisinha bem simples: CONSCIÊNCIA (o bom C)
Com ela nosso caminho por essa nossa vida terrena fica muito mais fácil. Pena que o CARÁTER (o mal C) nem sempre é dos melhores e isso acaba por levar o homem pro lado negro da Força….
=?
É a vida.
C.