Fernando Pessoa, escritor português, em um de seus poemas (o meu título); relata que é necessário que reconheçamos o fim, para que tenhamos a chance de ter um novo começo sem mágoas ou vínculos com o passado. Só que não é fácil aceitar o fim. É inerente ao ser humano fazer questionamentos diante das derrotas, das perdas, das despedidas, da morte, mesmo sabendo que estes nunca serão respondidos. Por mais que tente-se achar os erros, os motivos, os por quês, ele nunca vai se contentar com resposta alguma, por que não existe resposta para algo que não conseguimos aceitar, ou até mesmo não queremos entender. E diante disso surgem os “se’s”, os chamados se’s condicional, “se eu tivesse feito daquela forma, seria diferente”, “E se…?”. Sinceramente esse “se” só faz com que fiquemos mais aflitos ainda, com mais perguntas sem respostas, criando culpas, arrependimentos, por que havia outra maneira de agir naquele determinado momento. Mas esse momento é único e tão rápido que nele você age da forma mais natural, de acordo com sua personalidade, junto ao seu inconsciente, principalmente quando é pego de surpresa…
O mal da humanidade é achar que ela comanda o mundo, mas na verdade o mundo é quem comanda ela. Após termos nos dado conta de o que aconteceu, passou, terminou, escreveu-se um ponto final, é que vem a pior parte de todo o processo, que é cair na realidade. Isto sim derruba qualquer um, ficamos perdidos, afoitos, aflitos, uns se isolam, outros bebem, outros choram, outros sentem carência afetiva e quer todos a sua volta sempre e a toda hora, já outros fogem, tentam esquecer, saem se divertem, dançam, mas quando chega em casa e a cabeça se encosta no travesseiro, a realidade volta a pairar dentro de seus pensamentos. Ai vem as crises de choro, a tristeza profunda, o medo de tentar de novo, o medo de uma nova derrota, de uma nova perda, deixa qualquer ser perdido, sem rumo. Perder algo, ou alguém, em todos os sentidos, é inaceitável. Como você pode aceitar perder algo que antes fazia parte diariamente de sua vida e de uma hora para outra desaparece, vira-te as costas? Impossível aceitar, por isso existem as chamadas fulgas necessárias, os conselhos clássicos, o se desfazer de lembranças, o se desprender dos bens materias que te lembrem o que foi perdido. E com os pensamentos!? O que fazemos?! Ah, com esses deve-se não pensar. Mas como? Se mesmo você não pensando, você esta pensando que não esta pensando. Simples, ocupe sua mente o máximo que puder, esgote ela, faça com que seus neurônios percam as forças, faça mil atividades por dia, não pare. É… então também não durma, por que por mais que esteja esgotado na hora do encostar a cabeça no travesseiro tudo reaparece, volta-se a pensar. Pode ser que com o tempo esse pensar vá tendo menos efeitos ruins, com o tempo talvez aquilo que antes afetava e o entristecia diante de um simples cheiro, não aconteça mais. Então, o tempo é o que rege tudo!? Não afirmo isso com certeza absoluta, ele pode ser um aliado, assim como os amigos, a distração da mente, chamo todos de fulga. Uma falsa conformidade perante a sociedade para mostrar que és capaz de vencer, que és forte, que passou e que agora nenhuma recordação me afeta. Todos nós somos eternos artistas, com várias peças a serem estreadas em nosso caminho. Um ser inteligente, não esquece de nada marcante que aconteceu, ele pode tentar esconder no subconsciente, inconscientemente. Mas sempre estará lá dentro todas as recordações.
Agora me diz. Por que as boas recordações essas sim podem e devem vir sempre em nossos pensamentos, e as ruins não?! Se são guardadas no mesmo lugar dentro da gente. Por convenção alegria é coisa boa, tristeza é ruim. Para mim essa conversa toda só tem um e apenas um único intuito; que é fazer com que amadureçamos sempre. O amadurecer é ponderar antes de colocar para fora o que sentimos, é o pensar antes de tomar atitudes, é o ter conciência de que já seguiu um caminho que não deu certo, portanto hoje sigo esse por que sei que aquele não rendeu bons frutos. Ou seja, Fernando Pessoa que me desculpe a ousadia em discordar de seu poema. Mas não temos que criar fulgas, rasgar fotos, mudar de casa, bairro, evitar lugares. Não devemos esquecer o que aconteceu, nem evitar que as lembranças ruins voltem, por que são elas junto às boas que nos fazem crescer. Basta cada qual se permitir a passar por todas as fases, nas quais julgar necessário, para que se amenize o sofrimento, mas nunca fugir da causa dele, nunca fugir da realidade, nem se iludir tentando colocar um fim. Eu não acredito em fim, já disse isso antes, acredito em recomeço. Agora saber qual a hora certa de recomeçar, isso ai ninguém vai saber responder, apenas a própria pessoa. E a cada recomeço mais um ponto de amadurecimento.
Particularmente eu só recomeço quando esgoto todas as minhas formas de consertar algo que esteja, não quebrado, mas incerto, algo que eu ainda ache que não fui convencida, ou algo que eu ainda ache que é válido uma luta, uma reconquista, uma tentativa. Antes me arrepender por ter lutado, do que me arrepender por ter tido medo de lutar, de ir atrás, nem que seja pela última vez do que eu quero. Derrotas fazem parte da vida, mas elas só têm valor quando fazem parte da vida de lutadores e não de eternos vencidos.
Encerro mais uma vez com uma letra de Vinicius de Moraes, suas obras são capazes de ilustrar, engrandecer todos meus textos. O cara (com todo respeito) é tranquilo, segundo ele e Calazans Netto ser tranquilo é: ver o dia passar, em Itapuã, aceitar a vida como ela é ver do nascer do sol até ele se pôr sem fazer nada, só conversando. Quando isso acontece é quando você esta tranquilo, quando você vê que não é neurótico, quando percebe que as coisas estão tranquilas….
Vinicius de Moraes – Onde Anda Você |
E por falar em saudade onde anda você. Onde andam seus olhos que a gente não vê. Onde anda esse corpo. Que me deixou louco de tanto prazer. E por falar em beleza onde anda a canção. Que se ouvia na noite dos bares de então. Onde a gente ficava,onde a gente se amava. Em total solidão. Hoje eu saio da noite vazia. Numa boemia sem razão de ser. Na rotina dos bares,que apesar dos pesares. Me trazem você. E por falar em paixão, em razão de viver. Você bem que podia me aparecer. Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares. Onde anda você? |
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Hoje fui à Saraiva, uma livraria grande no Salvador Shopping… Como gosto de ler fiquei fascinada por vários livros. Me identifiquei com vários títulos e percebi o quão a vida é engraçada. Como ela é feita de fases e mesmo que passemos por uma, sempre fica algo guardado lá no nosso inconsciente e basta um lugar, uma música, um título ou até mesmo um cheiro para que lembranças, de uma fase, venham à tona. E consegui perceber que tudo passa, que só amadurecemos com a vivência de uma fase anterior e ela nunca se apaga da gente por que se a gente aprendeu com experiências próprias, marca para sempre.
Cheguei em casa com isso na cabeça; a vida sempre tem razão, Vinicius de Moraes grande compositor já dizia isso, e eu, humildemente, assino embaixo. Tudo que acontece na vida tem sentido, tem por que, tem explicações. Mas essas só são entendidas após algum tempo, quando se para pra pensar, e percebe-se que aquela atitude naquele determinado momento me fez o que sou hoje, não tem nada a ver com destino, ou por que estava escrito em algum lugar, sabe deus onde, que iria ser assim. Cada um é responsável pelos seus atos, cada um tem a capacidade de guiar sua vida, de saber qual caminho seguir, por instinto, por ter prioridades, por já ter guardado algo de outra fase que o leve a tomar certa atitude, etc. Em resumo; quero chegar a um ponto; tudo que é feito hoje, irá ser refletido pelo resto de sua vida, a todos os momentos, por isso devemos ter cuidado ao tomar uma atitude, ao falar, ao magoar, ao agredir e até mesmo em amar. Não digo que se deve ter controle sobre a vida, ela deve ser levada de acordo com a personalidade de cada ser, com leveza, até por que a maioria das decisões tomadas são baseadas no inconsciente, (com as lembranças de cada fase, desde seu nascimento até o minuto da ação) juntamente com o racional, com o irracional, com o coração, com a impulsividade, com os sentimentos e infelizmente com o álcool também. É eu só queria passar isso à vocês: “Sei lá a vida tem sempre razão…” Isso é fato, uma realidade uma verdade, na minha visão hoje de mundo.
Não é por acaso que:
“Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Descobre que devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não sabe amar, contudo, o ama como pode. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E descobre que realmente a vida tem valores e que você tem valor diante da vida!”
William Shakespeare
| Vinicius de Moraes – Sei lá a Vida Tem Sempre Razão |
“Tem dias que eu fico pensando na vida E sinceramente não vejo saída Como é por exemplo que dá pra entender A gente mal nasce e começa a morrer Depois da chegada vem sempre a partida Porque não há nada sem separação Sei lá, Sei lá Só sei que é preciso paixão Sei lá, Sei lá A vida tem sempre razão. A gente nem sabe que males se apronta Fazendo de conta, fingindo esquecer Que nada renasce antes que se acabe E o sol que desponta tem que adormecer De nada adianta ficar-se de fora A hora do sim é o descuido do não Sei lá, Sei lá Só sei que é preciso paixão Sei lá, Sei lá…” |
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Estou aqui sentada diante do computador, pensando em como passar os meus pensamentos para meras palavras. Me veio a lembrança que eu já tive dois flogs quando mais nova, nos quais usava para colocar fotos de festas, de amigos, já usei pra fazer ciúmes, já usei pra me declarar, já usei pra agradecer, fazer homenagens a pessoas queridas, desabafar, etc… E agora estou me perguntando o por que de eu ter resolvido voltar a escrever em blog. É fato que umas das coisas que mais me dar mais prazer é escrever, seja o que for, escrever o que sinto, o que sei. Palavras, argumentos, questionamentos, respostas, busca pelo saber, tudo isso me atrai. Sou uma pessoa que sei argumentar, conversar, não é atoa que estou me dando bem no Direito…
“A cada dia um recomeço…” Recomeçar, novo começo. Para alguns a vida é feita de ciclos, que têm começo, meio e fim. Para estes o recomeço só acontece após o fim de um ciclo, ou seja a vida para estes não é contínua, ela têm pausas, quebras, eu discordo. Quando falo em novo começo não necessariamente houve um fim, ou uma quebra de um ciclo. Vejo o recomeçar como uma reflexão. Ontem passei o dia a trabalhar, engajada em meu projeto, concentrada, cheia de idéias, mas foi só eu receber uma msg, vinda da pessoa que eu mais amo nessa vida, que conseguiu me tirar a concentração, as idéias sumiram, a vontade de dar vida ao projeto, que antes era latente, esfriou. Fiquei perdida, com sentimento de culpa, totalmente azuada. Parei o projeto e comecei a pensar, no que eu fiz, no que eu estou fazendo e o que eu pretendo fazer, com uma roska improvisada ao lado para facicilitar o aflorar dos sentimentos. E foi nessa reflexão que eu vi que o recomeçar não precisa de um fim para acontecer, ele representa apenas uma mudança de rumo, um vencer de um obstáculo e até mesmo uma decisão nova na qual foi tomada. Para mim não houve fim, não cortei laços, não deixei de amar, não deixei de respeitar, não mudei meu jeito de ser, apenas tomei uma decisão, difícil, dolorosa, que com certeza vai trazer muita dor, muita saudade, talvez quem sabe até arrependimento. Mas também tenho que dizer que ela foi tomada com firmeza, muita coragem, foi pensada e repensada, por mais que cause arrependimento, não voltarei atrás. Irei em busca de um recomeço… Nada é certo, a vida não é uma reta, contínua, infinita, sem quebras, ela não tem forma, nem fórmula. Cada um sabe o que é melhor pra si, e só se saberá o que é bom ou ruim vivenciando e recomeçando…
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Bem, estou de volta ao mundo dos blogs. Só que dessa vez não irei falar de minha vida pessoal. Comentarei apenas os acontecimentos, as reflexões e as lições que tiro de cada experiência vivida. Espero que gostem de meus textos, não sou nenhuma escritora, mas tento passar da melhor forma possível meus pensamentos.
Agradeço desde já todas as visitas,
Ana Carolina Seixas
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